Por Eduardo
Ludmer
No final
de abril deste ano, quando da comemoração dos 65 anos de Independência do Estado de
Israel e dos 95 anos do Colegio Israelita de Pernambuco, esteve presente no
Recife o Embaixador de Israel no Brasil, Rafael Eldad. Além de participar dos
eventos comemorativos destas datas, o embaixador foi recebido pelo prefeito do
Recife Geraldo Júlio para uma visita protocolar a fim de fortalecer as relações
entre o Estado de Pernambuco e Israel.
Os
motivos do interesse no incremento das relações comerciais de Pernambuco com
este pequeno país vem na esteira do Acordo de Livre Comércio assinado entre
Israel e o Mercosul em 2010, que visa a eliminar as barreiras tarifárias
aduaneiras ao comércio de bens e facilitar a circulação de mercadorias entre os
territórios dos países signatários, buscando aumentar a oportunidade de
investimento e aprofundar a cooperação bilateral e multilateral entre os
países.
Formado
por pouco mais de 7 milhões de pessoas que vivem em um território menor que a área
do Estado de Sergipe, do qual mais de 50% deste é considerado desértica, Israel
é o único país do Oriente Médio que pode
ser considerado desenvolvido, gozando de alto Indice de Desenvolvimento Humano
(IDH) e com uma renda per capita anual
de mais de US$ 30,000.
O
sucesso da economia israelense é baseado na produção e exportação de tecnologia
“limpa e sustentável”, em especial nos setores de segurança, biotecnologia e
agricultura. Não é à toa que Israel é o terceiro país com mais empresas
listadas na Nasdaq, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
Qual
seria a chave do sucesso da economia israelense? No best-seller “Start Up
Nation”, Dan Senor e Saul Singer, que esteve no Brasil recentemente, tentam
explicar a fórmula do êxito israelense, indicando diferente fatores, tais como
o grande número de imigrantes altamente qualificados e a cultura de assumir
riscos que é moldada pelo serviço militar obrigatório. De acordo com os autores,
através do serviço militar obrigatório tanto para homens (duração de 3 anos)
quanto para as mulheres (duração de 2 anos), o jovem israelense teria contato e
aprenderia a utilizar tecnologias de ponta úteis também na vida civil, estimulando
habilidades e conhecimentos propícios à inovação e alimentando o seu espírito
empreendedor.
Não
obstante, a formação do espírito empreendedor não pode ser considerada o
principal alicerce para construcão da “Nação Start-Up”, mas apenas seu mecanismo
de ignição. Destarte, sem medidas de fomento à inovação e ao desenvolvimento de
tecnologia, mediante legislação e medidas governamentais, sobretudo através da
criação de incubadoras privadas financiadas pelo Estado e investimentos
inteligentes em educação em todos os níveis, a “Nação Start-Up” estaria fadada
a ser uma nação “Start Down”.
Assim,
através do Escritório do Cienista Chefe – “OCS” (Office Chief Scientis), órgão ligado ao Ministério do Comércio e
Indústria de Israel (equivalente ao nosso BNDES), o Estado de Israel desde 1991
estabeleceu seu programa Nacional de Incubação Tecnológica, mediante o qual o
OCS seleciona incubadoras nacionais privadas via licitacão, por um prazo
determinado, para dar suporte aos empreendedores em seus primeiros passos, seja
tanto na concepção da idéia e conceitualização do “business plan” como no apoio
logístico e jurídico destas incubadoras por um período de até 2 anos. Existem
atualmente 26 incubadoras desse tipo em Israel, grande parte delas situadas
estrategicamente nas àreas menos desenlvidas do país justamente com o intuito
de promover o desenvolvimento dessas
regiões.
O
Brasil vem avançando bastante na implementação de políticas de fomento e
financiamento da inovação e tecnologia. O principal carro-chefe desta revolução
na gestão/investimento do dinheiro público é o Fundo Criatec em 2007, criado
pelo BNDES, mediante o qual foram selecionados 36 empreendimentos inovadores em
"estágio semente" em 7 cidades do Brasil, incluindo Recife, que receberam
o aporte de capital inicial de até R$ 1,5 milhão através da BNDES Participações
S.A. (BNDESPAR, empresa de participações subsidiária do BNDES) e o Banco do
Nordeste do Brasil S.A.
Em
agosto do ano passado, foi lançado o edital para o Criatec II, indicando que
este tipo de política de incentivo à inovação veio para ficar. Apesar do Recife
não estar entre as cidades selecionadas para o aporte de capital do Criatec II,
nada impede que empreendedores pernambucanos sejam participantes de
empreendimentos estabelecidos nas localidades selecionadas.
A
inciativa do BNDES não é novidade para Pernambuco. Não é de hoje que o Estado
de Pernambuco vem investindo em tecnologia e inovação. O Porto Digital, projeto
que reúne mais de 200 empresas de tecnologia da informação (TI) no centro do
Recife, transformou nossa cidade em um dos maiores polos de inovação e tecnologia
do Brasil, gerando milhares empregos e receitas de mais de R$1 bilhão por ano. A
criação da incubadora do Porto Digital em 2010 e do do recente lançamento do
PortoMídia visando apoiar a estruturação de empreendimentos nascentes nas áreas
de de entretenimento, além da consolidação dos programas de incubação da UFPE e
do ITEP - Instituto de Tecnologia de Pernambuco, demonstram que Pernambuco está
no caminho certo para virar um Estado “Start-Up”.
A
cooperação intensa entre Israel e Brasil vem se intensificando desde a
assinatura do Tratado de Livre Comércio entre os dois países. O BNDES e o OCS vêm trabalhando em conjunto desde
2010, quando do lançamento do Primeiro Edital de Chamada para Apresentação de
Propostas de Cooperação Tecnológica, que prevê o financiamento conjunto para
projetos involvendo empresas brasileiras e israelenses, que em parceria, desenvolvam novos produtos,
processos ou serviços de aplicação industrial direcionados à comercialização no
mercado doméstico e/ou global, nos setores
de Tecnologia da Informação e Comunicação, Saúde, Defesa e Energia Renovável.
Em
março deste ano foi aberto o Segundo Edital para a Apresentação de Propostas, nos
moldes do seu antecessor. As empresas interessadas têm até a data de 14 de novembro deste ano para a submissão dos projetos, o que pode ser uma grande
oportunidade para aproveitar a sinergia de interesses entre o estado de
Pernambuco e Israel para o
desenvolvimento de tecnologias que
melhorem nossa vida, como por exemplo medidas efetivas de combate à seca.


